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	<title>Ronieev&#039;s Blog</title>
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		<title>ARTURO REZENDE E OS ÓCULOS</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 20:19:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTOS]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[arturo e os óculos]]></category>
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		<description><![CDATA[Ao acordar precisava de um nome. Uma designação. Um rótulo. Precisava ser identificado. Identidade. Buscou, alucinado, a carteira no bolso da calça atirada despojadamente aos pés da cama. A cama era assim. Ela deturpava o ambiente em que se encontrava. Oferecia ao corpo consolo e abandono, prazer e descanso. Era então que o corpo, satisfeito com a promessa se despojava das armaduras sociais. Dos panos rituais que definiam condições e classes. Nu o corpo afundava na cama... para acordar sobressaltado, apavorado. Pois já não era mais o tempo da cama. Era o tempo dos calçados. Dos passos rápidos e angustiantes.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=80&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">      Ao acordar precisava de um nome. Uma designação. Um rótulo. Precisava ser identificado. Identidade. Buscou, alucinado, a carteira no bolso da calça atirada despojadamente aos pés da cama. A cama era assim. Ela deturpava o ambiente em que se encontrava. Oferecia ao corpo consolo e abandono, prazer e descanso. Era então que o corpo, satisfeito com a promessa se despojava das armaduras sociais. Dos panos rituais que definiam condições e classes. Nu o corpo afundava na cama&#8230; para acordar sobressaltado, apavorado. Pois já não era mais o tempo da cama. Era o tempo dos calçados. Dos passos rápidos e angustiantes. Era o tempo do movimento intenso&#8230; Ou nem tanto. Mas era o tempo do movimento. Dos discursos que copulavam, digladiavam. Dos discursos que morriam.</p>
<p>Arturo Rezende. Tinha se reencontrado. Agora voltara definitivamente do mundo insinuante e sedutor da cama. Sereia, ninfa do mar.</p>
<p>Ao chuveiro pensava na vida. “Como se um funcionário público tivesse muito o que pensar”. Mas pensava, por incrível que pareça além do funcionário público, além do chuveiro e além de sua condição.</p>
<p>Pensava sim. E muito. Só que os pensamentos de Arturo escorriam todos pelo ralo do banheiro. E depois que secava o corpo e vestia sua roupa de trabalho, e colocava os óculos, e apanhava a pasta, e tomava o café, sempre o mesmo café – meia xícara e duas bolachas salgadas - já não havia pensamento que resistisse ao árido corpo que ali se constituía.</p>
<p>Quem de perto pudesse observar melhor, perceberia que até aquele pequeno ar prazeroso que o lábio inferior de Arturo sempre fazia ao sair do banho, breve sensação de alívio e frescura; como se fosse puxado por mãos contrafeita ao prazer dos outros, esticava-se em uma boca hermeticamente fechada e árida. Soldados os lábios. As sobrancelhas enrugavam-se levemente e algumas rugas ainda não percebidas encrespavam a testa de Arturo. Arturo outro homem não o mesmo antes.</p>
<p>Ao chegar ao trabalho largaria seu casaco no encosto de sua cadeira de rodinhas e se poria a analisar avidamente os números. Revisaria quantas vezes fosse necessário qualquer coisa que não precisasse de revisão. Faria apontamentos, relatórios que ninguém leria. Mas faria aquilo tudo com prazer. Pois poucos tinha.</p>
<p>Perigosamente solteiro aos quarenta e dois anos, já havia acumulado um número de manias incapaz de permitir uma vida tranqüila com qualquer mulher normal. Por isso namorava Malva. Malva não era normal. Dona do armazém na rua onde Arturo morava, não era muito bem vista pela vizinhança. Nada honesta, diziam que inclusive superfaturada a mercadoria. Errava sempre ao seu favor nos cálculos dos ranchos e ainda por cima ostentava um decote tão imenso que quase obrigava os fregueses a – constrangidos – olharem para os lados ou para cima, para desviarem os olhos daquelas duas enormes obscenidades que se debruçavam sobre a caixa registradora. Foi isso que chamou a atenção de Arturo.</p>
<p>Com um pacote de bolachas salgadas na mão, dirigia-se ao caixa quando deparou com aquilo. Metáfora da luxuria. Sexo e dinheiro. Corrupção e economia.</p>
<p>Ele não precisou pagar as bolachas. Ganhou a mulher sobre a caixa registradora. Mas só a mulher. A caixa permanecia distante. Ele continuava pagando tudo. Malva não ajudava em nada. E ainda cobrava. Cobrava mais amor, mais carinho, mais dinheiro para passearem, para viajarem. Queria presentes. Queria um carro novo. Arturo começava a achar que não fizera bom negócio.</p>
<p>Mas a vida é ridiculamente irônica, estranha e essas coisas todas que dizemos quando não entendemos nada. Arturo cansou. Acordou um dia e decidiu que estava cansado. Quase conseguiu, mas quando colocou os óculos tudo voltou ao normal. Pensava até em dizer à Malva que não queria mais os seus seios enormes e sua fome destruidora. Mas desistiu. Depois dos óculos seus lábios estavam selados para diálogos mundanos. Mas precisava das bolachas. De manhã. Quinze para as oito. Entrou no armazém da Malva. Silêncio incomum apanhou o pacote de bolacha e dirigiu-se ao caixa. Estancou. O assaltante como na tela do cinema, projetado nas lentes de seus óculos. Menor de idade. Arma muito poderosa, magro e fraco. Com a arma. Poderoso e alucinado. “O dinheiro, o dinheiro!”</p>
<p>Os olhos de Malva não denotavam medo, mas um ódio avassalador se pudesse trituraria o assaltante. Os seios fartos arfavam, o coração acelerado. “Calma ai meu senhor&#8230;” O <em>meus senhor </em>se endereçava a Arturo que em pé suava. Não consegui falar nada, dizer ou fazer nada. Os olhos de Malva ordenavam que agisse que saltasse sobre o meliante, que o agarrasse, que salvasse a caixa registradora. Impositivo era o olhar. O corpo de Arturo não mexia. Posição tão incômoda para ele e para o assaltante. “Vai pra lá cara, encosta no balcão!” E Arturo não conseguia. Petrificado juntamente com suas bolachas, permanecia em pé, estátua pública, a alguns passos do assaltante. “Já falei p&#8230;” no exato momento em que o delinqüente virava-se para agredir verbalmente Arturo, de sobre o balcão Malva saltou. Seios balouçantes, dentes trincados em fúria doentia, braços abertos, unhas escancaradas. Um estampido surdo. Seco. E mulher e assaltante estatelaram-se no chão. Inertes. Ela com um enorme buraco de bala no pescoço. Muito sangue pelo chão. O assaltante. Magro e fraco. Morrera ao bater com a nunca no chão. Mortos. Os dois.</p>
<p>Arturo permaneceu quieto por alguns segundos. Tirou a carteira do bolso, arrancou a carteira de identidade e jogou-as sobre os cadáveres, tirou o casaco e largou no chão. Ao sair do armazém estava apenas de cuecas e de óculos. Não olhou para trás. E antes de deixar o lugar e adentrar pelo meio de centenas de pessoas que se aglomeravam para ver a cena, apanhou os óculos do rosto e o lançou para cima.</p>
<p>O objeto fez algumas piruetas e desmanchou-se na calçada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/80/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=80&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>BRIGA</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 20:16:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTOS]]></category>
		<category><![CDATA[briga]]></category>
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		<description><![CDATA[Para além do combate e dos cães. Também nós somos filhos de Tiphon, o deus grego da seca. Dos nossos desertos e silêncios e de todos os nossos segredos mais íntimos; e de Equidna, a mãe de todos os monstros. Mulher e serpente. Antes de sermos e vermos o outro, em suas diferenças e similitudes, antes de no outro vermos a nós mesmos, somos Ortro. Sempre o cão. De duas cabeças. Sedento. Ávido pelo sangue e carne alheia.
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"> </p>
<p align="center"><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Ambos tinham nas bocas o gosto do sangue. Do outro. E o mundo não era mais o mundo. Era apenas o cheiro insuportável do sangue e a adrenalina que bombeava a loucura que expressava a fúria de morte e destruição em seus olhos.</p>
<p>Eriçado o pêlo, olho no olho, praticavam movimentos tensos. Ódio e fúria deslizando em forma de sangue pelas feridas abertas.</p>
<p>E os movimentos pareciam coreografados por um louco&#8230; primeiro lento, lento&#8230;rosnados, corpos tremendo, e em seguida <em>se atracavam</em> de tal fúria que já não pareciam dois. Mas um. Amalgamados em nova criatura. <em>Ortro, </em>criatura forjada por Tiphon e Equidna.</p>
<p>Cães. Animais. A irracionalidade em sua mais alta potência. Estupidez em forma de saliva a escorrer pelo queixo.</p>
<p>A razão não tem espaço, sentido nem poder algum. O instante é mitológico. A morte é a anfitriã da dor. Nossa dor. Pois embriagados pelo gosto da própria carne e sangue os animais já não sentem. Corpos esqueléticos, fome secular.</p>
<p>O terreno baldio é a arena. E o silêncio externo é a platéia. O pavor do mundo, representado pela estagnação de todos os sons exteriores ao combate.</p>
<p>Dentes enormes e assustadores rasgam e cortam e já não há uma cor original. O escarlate-sangue assumiu. Todos os poros e pêlos foram tingidos e encharcados. Sangue.</p>
<p>Não haverá paz enquanto não houver morte. É uma certeza. </p>
<p>Sempre assim. A morte é uma imposição para a paz. O terror é uma imposição para a paz. O medo.</p>
<p>Para além do combate e dos cães. Também nós somos filhos de Tiphon, o deus grego da seca. Dos nossos desertos e silêncios e de todos os nossos segredos mais íntimos; e de Equidna, a mãe de todos os monstros. Mulher e serpente. Antes de sermos e vermos o outro, em suas diferenças e similitudes, antes de no outro vermos a nós mesmos, somos <em>Ortro</em>. Sempre o cão. De duas cabeças. Sedento. Ávido pelo sangue e carne alheia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/78/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=78&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>CONVERSA NO ÔNIBUS</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 15:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[conversa]]></category>

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		<description><![CDATA[Um sorriso era a tentativa de não ser rude. Artimanha para ludibriar a situação. Como se a situação fosse suscetível a qualquer artimanha. Fato. Ato. É isso que é. Tempo também. Pois que se esvai, desgasta e acaba. Morre. Não o sorriso. As poucas palavras que não dizem. Pretendem o silêncio, mas que não são [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=70&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;" align="center">Um sorriso era a tentativa de não ser rude. Artimanha para ludibriar a situação. Como se a situação fosse suscetível a qualquer artimanha. Fato. Ato. É isso que é. Tempo também. Pois que se esvai, desgasta e acaba. Morre. Não o sorriso. As poucas palavras que não dizem. Pretendem o silêncio, mas que não são entendidas. Confundidas com acenos e afagos a outras tantas palavras que deságuam, derramam&#8230; e inundam.</p>
<p style="text-align:left;">O ambiente é o ônibus. E sacode como todo ônibus. E isso é bom. Deslocamento do corpo, dos órgãos, das palavras, das idéias. E os rostos e os corpos todos. E os silêncios que se fazem das bocas e as bocas que murmuram seus silêncios indiscretos.</p>
<p style="text-align:left;">O pensamento é o maior passageiro de qualquer ônibus. Sobre os corpos. Através dos corpos. Palavras em idéias e textos que se enroscam silenciosamente nas carnes. As vezes sufocam. É por isso que o ônibus sacoleja. Salta. Atira os corpos para cima e para os lados. E quando fica vazio. Sobra nele ainda vestígios perdidos de pensamentos. Pedaços de todos.</p>
<p style="text-align:left;">Mas a conversa é diferente. A conversa é uma força. Um poder que se sobressai, que é infringido sem dó aos passageiros que não gostam da conversa. Falar.</p>
<p style="text-align:left;">Existem aqueles que preferem ouvir. Em silêncio constituem textos enormes. Colcha de retalhos de todos os outros textos. Ouvir. Se deixar atravessar pelos discursos alheios. Ser um espaço liso por onde a fala desliza e flui. Mas conversar é ser estrato.  É ser coisa. Coisa que obstrui, retém e devolve. Devolve energia, impulso, força e no caso fala. E falar sem pretender falar é agressão. É violência. Contra quem não quer falar e contra o interlocutor.</p>
<p style="text-align:left;">Falar é jogar palavras, oferecer palavras sem cuidado, sem tato e  sem paixão. Falar. Proferir palavras. Conversar. Costurar assuntos, pontuar idéias. Curiosidades resolvidas. Banalidades construídas.</p>
<p style="text-align:left;">Ritual. Todo ritual é sagrado. Mesmo que não façamos nossa essa crença. Respeito. Tradição. Navegar no mesmo rio, cordialidade. Simpatia. Eis o sorriso. O consentimento da cabeça. “Sim&#8230;, claro&#8230; é&#8230;” confirmações, consentimentos. A conversa ali e o pensamento lá. Este analisando de forma acadêmica e técnica a conversa. Pensamento que destrincha desconstói e acaba silenciosamente a conversa. E há o hálito. Álcool. E há a vida e as dores e os parentes, e as dívidas&#8230; E há o mundo.</p>
<p style="text-align:left;">Ms você não quer o mundo. Você quer o silêncio e a criação de um outro mundo. Não este que corre fora do ônibus ou este que é expelido pela boca do interlocutor. Não. Este mundo é o seu mundo. É a sua terra. Seu buraco. Seu túmulo. Este discurso é a tua redução, teu resumo. Limitação e constatação.</p>
<p style="text-align:left;">É então que ela pergunta sobre o livro que tentavas ler. Carrol. Você diz. Alice. País das maravilhas. Ela fica te observando e se cala.</p>
<p style="text-align:left;">Você acha que está tudo resolvido&#8230; mas ela volta: “Essa cartola está fora de moda.”</p>
<p style="text-align:left;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/70/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=70&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Desmoronou o céu e ele riu</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 03:19:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTOS]]></category>

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		<description><![CDATA[  &#160; Desmoronou o céu e ele riu. Bocas graves e troantes anunciaram a água. Abundancia. Jorros, fluxos, rios. Massa de água que tudo envolvia, cobria, lavava. Todos os demônios escorraçados. Santa a água. Benta. E os braços aos céus agradeciam. Costumava agradecer. Mesmo constituindo-se da mais irremediável revolta; não esquecia de agradecer. O dia, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=68&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"> </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desmoronou o céu e ele riu. Bocas graves e troantes anunciaram a água. Abundancia. Jorros, fluxos, rios. Massa de água que tudo envolvia, cobria, lavava. Todos os demônios escorraçados. Santa a água. Benta. E os braços aos céus agradeciam. Costumava agradecer. Mesmo constituindo-se da mais irremediável revolta; não esquecia de agradecer. O dia, a noite, a vida. Às vezes até as dores e fúrias.</p>
<p>E hoje estava ali. Rua deserta de corpos que não ficavam. Corpos que não aceitavam a água. Refugiados. Filhos dos lugares secos. Enxutos. Seguros. No entanto ele como sempre se recusava a aceitar os refúgios. Alguns achavam que era doente. “Louco” declaravam. “Da Silva”, complementavam os mais velhos. As crianças riam e às vezes até judiavam. Pedras, paus, e palavras mais agudas e pesadas-cortantes verbos infantes, carregados dos preconceitos dos pais. Estes puxavam as crianças para dentro das casas secas. Enxutos.</p>
<p>Mas ele estava molhado. Sempre vazando sua liquidez irracional. Suas inconveniências sociais.  Insistia em colocar o espaço do seu corpo no espaço dos outros corpos normais. E causava com isso embaraços nada agradáveis para a cidade.</p>
<p>Neste dia, munido do discurso da des-razão, Braulino Junqueira resolveu declamar sua revolta em forma de dança. O corpo no movimento da dor e da ausência de voz. Da voz que se ouve e encanta, e escuta e acata e entende e aceita. Braulino não tinha voz. Sua gramática era motivo de riso e escárnio. A voz de Braulino não era ouvida. Renegada. Excluída. E seus murmúrios ancestrais, que das profundezas mais antigas de todos os ecos pretendiam a comunicação. Relação. Comunhão.  Mas a sacra língua oficial, o politicamente correto-escorreito idioma-senhor-patrão-<em>discursocial-</em>grafia-fala, padrão, modelo em zombaria afinada-refinado desdém, reduzia a expressão de Braulino em cômica e ridícula piada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas ele.Braulino Junqueira não era piada. A seriedade abissal. Corpo e som provenientes de espaços ainda não arrazoados pela prosaica sanidade de qualquer daqueles homens enxutos.</p>
<p>E enquanto a chuva varria o mundo com sua água. Purificação? Batismo? O corpo de Braulino, como que movido pelo ritmo do berro de mil gargantas consumia os espaços em movimentos bruscos e estranhamente assustadores.</p>
<p>Verbo que se fazia corpo. Corpo que se fazia verbo em músculo e torção, distorção, contorção de toda verdade posta-imposta-proposta. E o corpo era o discurso. No percurso da própria dor do músculo. Do impulso do grito do nervo e sua distensão. Mão em cinco dedos profundos, mago em  ritual soturno. Poeta em carne e osso e pele. Poema de corpo e face. Rosto que se desfaz. Criação de outros tantos. Máscaras todas da possibilidade da face. E o rio que se despeja. E o afogamento. Naufrágio de toda constituição do sujeito. Sujeito explodindo-implodindo toda ilusão do corpo e da mente. Toda a ilusão do Ser homem. Dança-balé. Delírio da carne. Sexo explícito entre o sentido e a imagem. Imagem e vocábulo não dito. Maldito espetáculo de redução e aumento do corpo, envergaduras, alcances e dobramentos. Plástica magia de corpos que transitam no mesmo corpo. Desorganização, desorientação.</p>
<p>E no barro que a água apaga, círculos, riscos, vocábulos. Grafia dos abismos que assombram todos os homens, todos os corpos, todas as carnes que se compõem.</p>
<p>Largos passos. Piruetas tresloucadas. Agachamentos, tombos, mergulhos, gritos. Uivos. Raios elétricos, epiléticos, dialéticos.</p>
<p>E o mundo fechou-se em obscuridade. Todos os olhos recusaram. A grande recusa. E os teatros todas as portas cerraram. E apedrejaram e acusaram. Não mais a chuva. Impropérios e injúrias. Fúria em ancestrais conjunturas. Medo em tijolo e massa. Estruturas de reclusão, afastamento. Exclusão, expurgo. Enxotar o louco e sua dança. Seu rito e seu verbo. Sua imoralidade corporal sua carne, face e presença. Apagar a loucura. O corpo e a escritura.</p>
<p>Queimem a criatura da chuva! Gritavam todos os enxutos. E em deliberado movimento de linchamento, todos os braços, todas as mão e todos os olhos o corpo do louco abraçaram. Preção violência e raiva.</p>
<p>E na chuva que esmorecia, em óleo e fogo que se fazia, o corpo de Braulino Junqueira ardia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/68/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=68&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Da beleza e suas medidas</title>
		<link>http://ronieev.wordpress.com/2011/09/20/da-beleza-e-suas-medidas/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 22:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGO]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Algumas observações sobre a idéia do belo através do Miss Universo.

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong></strong> </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando se fala em beleza,  muita coisa vem <em>à baila. </em>Afinal, o que é o belo? A beleza é uma medida? Uma quantidade?  Quem decide o que é belo? Quem avalia a beleza? Quem dá valor aos conceitos do que seria o belo? Quem determina que algo é mais ou menos  belo. Que critérios estéticos são considerados. Que cultura prevalece sobre as outras nesse quesito? Era nisso que pensava enquanto pela internet observava os comentários e reportagens sobre o Miss Universo.</p>
<p>Existirá uma beleza universal? Quem determinaria isso? Se existe uma diversidade, pois nada é mais concreto que a própria diferença, poderia existir um padrão&#8221; real&#8221; de beleza?</p>
<p>Percebemos o belo, pelo caminho tortuoso da arte que advém dos gregos, e ainda hoje aqueles conceitos de beleza ainda são moeda de troca, valores a serem conquistados e adquiridos na sociedade, da arte até o próprio corpo.  É através desta ótica grega que ainda observamos, consideramos e avaliamos a &#8220;beleza&#8221;.</p>
<p>Mas me pergunto se em um mundo em que, na contemporaneidade, deveria assegura o valor da diferença como atributo afirmativo para a construção de uma identidade que não se atrele mais a conceitos e verdades únicas, e que questionasse as palavras de ordem &#8211; pelo menos dentro dos círculos que pensam a sociedade como forma igualitária de se conviver com as singularidades e diferenças -  e os conceitos universalizantes , não estaria, de certa forma, solidificando àqueles antigos conceitos com este tipo de evento?</p>
<p>Vemos a toda hora a exclusão sendo a <em>palavra da vez </em>nos meios midiáticos. E a &#8220;beleza&#8221; continua a ser um dos critérios de maior exclusão em todas as instituições, em todos os segmentos sociais e culturais. Idealiza-se algo <em>belo</em>, e se faz a busca alucinada para encontrá-lo. Excluindo, ridicularizando, diferenciando, menosprezando, desvalorizando e recusando tudo e todos que não estejam próximos dos padrões estipulados.  Estipulados, determinados e fortemente garantidos por uma mídia, um discurso e um estado de coisas que se beneficia &#8211; e muito &#8211; disto tudo.</p>
<p> Falar de um <em>belo</em> universal é excluir as singularidades que compõe as variações da vida na terra, é determinar a superioridade de um estilo, de uma cor, de uma estatura. Desconsiderando  formações estéticas que  diferem através de culturas, subjetividades, gostos, condições econômicas e sociais, regionais etc.</p>
<p>Observando as mulheres que desfilavam, percebia que mesmo sendo diferentes, todas eram iguais. Eram formatadas. Beleza pasteurizada. Um <em>belo</em> construído dentro dos moldes exigidos pelo poder. Um poder que determina  a própria condição de ser e pensar o belo, o que é bom e o que é certo.</p>
<p>E o final de tudo foi uma farsa. Como tantas que encontramos nestes tipos de concursos. A prática do politicamente correto. Já que temos um Presidente americano negro, não seria bonito eleger uma beleza negra?</p>
<p>Só que a beleza negra estava moldada dentro dos critério brancos. Um beleza negra comportada, bem próxima aos padrões europeus e exigidos.</p>
<p>Como afirmei antes, qualquer uma que ganhasse não faria diferença. Eram todas as mesmas, idênticas.  </p>
<p>Na minha triste forma de ver as coisas, não haveria diferença se outra  qualquer fosse escolhida. A beleza é algo subjetivo, o belo está além de critérios e avaliações superficiais.</p>
<p>Me entristeço muito observando estes &#8220;circos&#8221; antiquados e que ao mesmo tempo instigam  a forma de pensar e agir de uma sociedade. No topo os mais &#8220;belos&#8221;, na base os &#8220;feios&#8221;. Dicotomias que deveriam, em pleno século XXI  já estarem sendo questionadas e sendo postas de lado. Mas infelizmente o que acontece é o contrário.</p>
<p>Uma beleza universal? Piada!!</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/62/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=62&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Levantando</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 21:37:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTOS]]></category>
		<category><![CDATA[delírio]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[ironia]]></category>
		<category><![CDATA[subjetivismo]]></category>

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		<description><![CDATA[  Ronie Von Martins                           Primeiro deveria me preocupar com o narrador. Escolher quem narra. A forma como se conta um fato. Isso tudo é muito importante. Mas pro diabo, o narrador sou eu mesmo. E olhem lá, não sou nenhum eu “poético”, sou apenas eu. Isso basta.                           Poderia também, dos vários fatos importantes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=56&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Ronie Von Martins</strong></p>
<p>                          Primeiro deveria me preocupar com o narrador. Escolher quem narra. A forma como se conta um fato. Isso tudo é muito importante. Mas pro diabo, o narrador sou eu mesmo. E olhem lá, não sou nenhum eu “poético”, sou apenas eu. Isso basta.</p>
<p>                          Poderia também, dos vários fatos importantes da minha vida, eleger um que tenha sido significativo, que tenha representado alguma coisa pra mim ou para alguém. Pro diabo também, minha vida não passa de ume grande mero. E vejam que esse mero que seria um simplório de um adjetivo eu o substantivo, solidifico em coisa vasta, maior do que a proporção que realmente possui. Se é que alguém consegue possuir o nada. É o contrário, penso eu, é este grande abstrato infernal que nos possui. Jonas na bocarra da baleia. A grande baleia é o nada. Eu sou Jonas. Não!!! Esse não é o meu nome, pelo amor de Deus, eu sou Eu, e maiúsculo por uma questão de egocentrismo, dada a insignificância que represento entre esse E e esse U final.</p>
<p>                           É isso aí, para aqueles que já perceberam o meu desatinado esforço em ser irônico, minhas mais sinceras desculpas, mesmo que não deposite muita fé em desculpas, visto sua função meramente ritual diante do fato já consumado. Sou, digamos um aprendiz de aprendiz, e me regozijo diante das sentenças que vou amontoando. Sou deus, e com minúsculas, para não ofender àqueles que se debruçam sobre as nuvens e sorriem da minha ousadia. Ousadia???  Que sofrível&#8230;</p>
<p>                            Ah, claro, não devo esquecer do título, Levantando, o gerúndio (isso foi antes dessa onda de gerundismo que tomou conta do mundo como uma praga)  me fascina, é como se estivéssemos sempre agindo, é como se fôssemos eternos, e o pretérito e o futuro estivessem longe de colocarem suas garras – é, garras ficou muito vulgar e chavão, mas somos todos um pouco vulgares, e o que somos além de chavões humanos – vai <em>garra</em> mesmo. Isso, longe de colocarem suas garras ( só não vou dizer afiadas, isso já é apelação) na carne de que somos feitos.</p>
<p>                            Levantando. Muito bem, deste ponto pretendo ser mais sério, e me arriscar pelos caminhos sinuosos – e caudalosos – de um psicologismo barato. Tão caro pra mim.</p>
<p>                           [Intenso silêncio, um leve coçar de saco, tentativas infrutíferas de encontrar uma citação fascinante, mais uma coçada no saco... um estalar de dedos, uma total falta do que dizer, um cérebro oco, vazio. Muito vazio mesmo!]</p>
<p>                           É, Levantando&#8230;</p>
<p>                           Da cadeira, da idéia, do texto&#8230; levantando.</p>
<p>quinta-feira, 10 de junho de 2004</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=56&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>LADRÃO</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 21:23:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTOS]]></category>
		<category><![CDATA[destino]]></category>
		<category><![CDATA[dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[ladrão]]></category>

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		<description><![CDATA[LADRÃO Ronie Von Martins     Tinha que fazer. Seria fácil. Pensou na mulher. Na alegria da mulher quando voltasse com uma bolsa nova. Uma bolsa era tudo a mulher queria. “Todas têm bolsa bonita, só eu que não. Só eu que não&#8230;” isso martelava na cabeça dele. Foi então que aceitou. Tinha recusado. Sempre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=51&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>LADRÃO</strong></p>
<p><strong>Ronie Von Martins</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Tinha que fazer. Seria fácil. Pensou na mulher. Na alegria da mulher quando voltasse com uma bolsa nova. Uma bolsa era tudo a mulher queria. “Todas têm bolsa bonita, só eu que não. Só eu que não&#8230;” isso martelava na cabeça dele. Foi então que aceitou. Tinha recusado. Sempre recusara. O primo vinha com aquela conversinha de que tudo era fácil, muito dinheiro e essas coisas. E ele recusava. Medo? Sim, era medo. Mas quem não tinha medo. O medo é que nos tinha. A todos. Amarrava todos pelos pés, e quando queria divertir-se, nos puxava para o inferno. Era assim que ele estava se sentindo. Como se alguém o estivesse puxando para o inferno. E o inferno era a casa.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Forçou o cérebro para perceber o ato como algo mecânico, matemático. Pularia a janela, o primo trabalhava na casa. Deixaria destrancada. Era só entrar. A velha estaria dormindo. Ela dormia cedo. A velha.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Dizia o primo que era uma mulher muito chata e doente. Mulher má – dizia o primo – enrugada como uma bruxa. Merecia ser assaltada. E se morresse de susto não tinha problema. Já era velha e ninguém ia dar falta.</strong></p>
<p><strong>O primo não gostava da velha. Ninguém gostava da velha. Nem o mundo.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A rua estava escura. O primo mandara&#8230; Pagara alguns moleques para quebrar as lâmpadas dos postes próximos. De bodoque na mão, a gurizada fuzilou as lâmpadas, a escuridão caiu sobre a rua.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Queria estar em casa, olhando o Fantástico, comendo pipoca e tomando um mate. “Meu Deus, o que é isso, o que eu estou fazendo?” pensava.  Chamou o grande pastor que cuidava do pátio pelo nome. “Leão. Leão!” eram velhos conhecidos. O primo, jardineiro da velha, levava o cão para passear. Levava-o para a casa dele. Ele dava comida, fazia carinho. Eram amigos. O cão gostava mais dele do que da velha. Os dentes do Leão eram navalhas. Mas jamais o morderia. Veio fazendo festa, lambeu o rosto dele, balançou o rabo. “Amigo, amigo&#8230;” ele falava. O coração forte a esmurrar as paredes do peito.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>“Vai, vai sim.” Disse a mulher. “Chega de viver como escravo. Olha pro teu primo, aquele sim sabe viver. Sempre com dinheiro no bolso, carrão e dando vida boa pra mulher dele.” Ele tentava argumentar&#8230; Mas não saia do  “Mas querida&#8230; mas&#8230;” e ela já o enchia de gritos e desaforos. “Palerma, frouxo, covarde.” Ela era bonita, jovem. Ele era feio e velho. Quarenta e oito anos como servente de pedreiro acabava com qualquer um.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Enquanto vomitava no banheiro, olhou-se ao espelho e entristeceu. Acabado. A imagem era do fracasso. Do seu fracasso. Não tinha filho. Não tinha mais ninguém, só ela, Hilda. Mulher fogosa e brincalhona, mas muito geniosa. Ainda lembrava dela no casamento. Ele prometendo vida nova. Ia ser pedreiro, ia construir uma casa linda. Tinha muitos fregueses, ia contratar ajudante&#8230; <em>ela ia ver só, ia ver só&#8230;</em></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O tempo passou e nada mudou. Continuou como servente. Pobre e triste. Mais triste do que pobre. A bolsa era o símbolo, o signo de tudo que a mulher queria que ele prometera e não cumprira. Quando brigavam – coisa freqüente – ela zombava: “E a minha bolsa nova?”</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Trouxera alguma comida para o cachorro, sabia que ele só comia ração, adorava carne. Trouxera restos de carne do açougue. Jogou em um canto e o cão desapareceu. Escalou a parede, empurrou a janela e entrou na casa. O coração nunca batera tão forte. Chegava a doer no peito. Quase pensou que ia morrer ali. Acendeu uma pequena lanterna. Era uma sombra. Quase não fazia barulho. Mas ouvia todo o som que seu organismo angustiado fazia dentro da barriga. Pensou no primo. O que estaria fazendo?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Levantou-se do corpo nu da mulher. Tudo escuro. Não gostava de ver nada. O primo estava fazendo o que tinha que fazer. Era bobo. Mas era um bom sujeito. “É, um bom sujeito.” Pensava nisso quando as mãos de Hilda o puxaram para dentro do seu corpo novamente. Foi nesse instante. Que o facho da lanterna atingiu o rosto branco e assustado da velha. Mãos tremendo, lágrimas no rosto. Enorme revólver nas mãos. Um estampido. Um latido de cão, um orgasmo e o mundo voltavam ao seu louco girar.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>RECANTO DAS LETRAS</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 18:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[LINK]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>http://recantodasletras.uol.com.br/autores/ronieev</p>
<p>MAIS UM LUGAR QUE ABRAÇA MEUS TEXTOS&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=48&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>EDUCAÇÃO E CULTURA</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 03:48:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARTIGO]]></category>

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		<description><![CDATA[Com Adorno – Educação e cultura (1) Ronie Von Rosa Martins      Theodor W. Adorno dizia que um dos objetivos da educação seria o de se opor a crescente violência e barbárie em que o ser humano desavisadamente se encontra. Marcado pelo horrores de Auschwits, Adorno via na educação uma das formas de resistir à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=44&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Com Adorno – Educação e cultura (1)</strong></p>
<p>Ronie Von Rosa Martins</p>
<p>     Theodor W. Adorno dizia que um dos objetivos da educação seria o de se opor a crescente violência e barbárie em que o ser humano <em>desavisadamente</em> se encontra. Marcado pelo horrores de <em>Auschwits</em>, Adorno via na educação uma das formas de resistir à barbárie.</p>
<p>     No entanto o que se percebe na educação brasileira não tem nada a ver com essa idéia inicial. A educação não visa a formação do indivíduo como um ser humano autônomo e democrático. As instituições escolares apenas resistem ao tempo, mantendo as  mesmas tradições e verdades que erigiram a sociedade do jeito que ela é.</p>
<p>     Adorno critica nos seus escritos a transformação da escola em indústria, empreendimento comercial. O autor não vê como um pensamento administrativo e burocrático possa servir para emancipar o sujeito e transformar o estudante e o cidadão em criaturas melhores. Pelo contrário, percebe através destas dois pensamentos formas de reduzir a própria educação em mercadoria, facilitando dessa forma uma educação “mais ou menos”, para as massas. Ou péssima, se formos um pouco mais radicais.</p>
<p>     O aluno se vê seqüestrado pelas organizações do espaço e dos tempos escolares, é seccionado pela organização das disciplinas e conteúdos e é seduzido a se diluir num aparato cada vez mais tecnológico a fim de estar e ser como todos os outros. Buscar o seu lugar ao sol. Mesmo que para isso tenha que bater em alguém. “cotoveladas” diria Adorno.</p>
<p>     A escola promove a competição em detrimento do companheirismo e da solidariedade, lembrada apenas em datas marcadas na folhinha. Não há um movimento dentro da educação para fazer pensar a educação, mas sim em cumprir o que é e está.</p>
<p>     O professor, profissional que deveria por sua condição de intelectual e pensador, promover debates e questionamentos sobre a sociedade a fim de buscar melhorias através de um pensamento que criasse opções e novos caminhos, se vê automatizado e prisioneiro de sua limitação, tanto econômica quanto cultural, e apenas ecoa o grande discurso dos que estão no poder.</p>
<p>     Como falar de violência em sala de aula, se o próprio aluno é tratado como se fosse um prisioneiro? Para não dizer do próprio professor, amedrontado pelo dedo fascista de um discurso tecnicista e castrador?</p>
<p>     O que pensar de uma escola que obriga o aluno a pedir a chave do banheiro publicamente para poder se aliviar. O carcereiro olha para o infeliz e diz: Não demora!</p>
<p>     A barbárie não está só em Auschwits, e se esta mesma escola não consegue fazer seus alunos “aprenderem” a ir no banheiro sem destruí-lo, o que se espera que os alunos aprendam?</p>
<p>     Há uma visão antiquada que reduz a instituição educacional, com todos os seres que a habitam em mero braço da força e do discurso tradicional que procura manter tudo do jeito que sempre foi.</p>
<p>     A violência, de todas as formas, se origina da necessidade que o homem tem em controlar o medo e na conseqüente necessidade de dominar. E a educação não questiona nem argumenta contra isso. Pior, incita na alma dos estudantes o egoísmo e essa necessidade de dominação. A formação não é mais vista como uma forma de singularização do indivíduo e como um caminho para melhor compreender o mundo e interferir positivamente nele, mas sim como uma forma de “encarecer” uma mercadoria. Cada vez mais o homem busca “formação”, não como forma de melhorar como homem, mas apenas para se promover e valorizar o produto. Ele mesmo.</p>
<p>     A escola e a educação são violentadas por visões que não vêem a educação, mas o que ela pode lhes dar em troca; dinheiro, poder político, status social. E a educação não tem voz. Sofre de bullying nas mãos de outros interesses.</p>
<p>     A educação, deveria pelo menos, denunciar essa “pseudoformação” como diria Adorno, apontar as condições que a geram, mas o que vemos são discursos que procuram reduzir esse fato histórico e social em atributos de responsabilidade individual.</p>
<p>     A escola é meramente um lugar para “docilizar” o indivíduo, fazer com que perceba que é só mais uma engrenagem da máquina. Apêndice do organismo estatal.</p>
<p>     Enquanto isso, o menininho nervoso levanta de sua cadeira, ergue a mão trêmulo: “Posso ir ao banheiro <em>fessora</em>?” Se a professora está de “boas”, permite que a criança saia&#8230; ela atravessa o espaço da escola e chega na secretaria. Várias pessoas conversam: &#8211; A chave do banheiro? Ele abana afirmativamente a cabeça. Alguém procura em uma gaveta uma chave&#8230;</p>
<p>     A educação é isso. Uma prisão, e toda hora alguém se ajoelha pedindo uma chave&#8230;</p>
<p>     É&#8230; Educação após <em>Auschwits</em>&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=44&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Lobo</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 02:14:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronieev</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTOS]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>

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		<description><![CDATA[LOBO Ronie Von Rosa Martins Todas as prisões são o corpo. A limitação do corpo. O espaço delimitado do corpo. A carne o osso e o passo tímido da perna exata. A prisão é a cama a peça e a casa. A cerca e o espaço que te traça. Nos livros as traças. Letras e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=42&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>LOBO</strong></p>
<p>Ronie Von Rosa Martins</p>
<p>Todas as prisões são o corpo. A limitação do corpo. O espaço delimitado do corpo. A carne o osso e o passo tímido da perna exata.</p>
<p>A prisão é a cama a peça e a casa. A cerca e o espaço que te traça.</p>
<p>Nos livros as traças. Letras e mais letras, palavras, verbos, versos, universos. Mesmo assim preso. Mesmo assim refém das limitações da carne sua.</p>
<p>Sobre a mesa o espesso volume. Moby Dick. Ahab. O oceano.</p>
<p>Civilizado. Docilizado. Afrouxou a gravata. Forca estética de várias cores e tecidos.</p>
<p>O respirar do corpo além do nó.</p>
<p>O copo de uísque pela metade. Dois icebergs flutuando. O degelo. O gelo.</p>
<p>Rasgam o tédio, a moral, as normas, as ordens. O real.</p>
<p>Um sorriso se desenha em lábios que não sorriem. Mais. O álcool é o segredo para o outro mundo. Dimensão outra. Imensidão.</p>
<p>O corpo aperta uma tecla e Nei Lisboa canta só para ele :  “Seremos sempre assim, sempre que precisar. Seremos sempre quem teve coragem. De errar pelo caminho e de encontrar saída. No céu do labirinto que é pensar a vida. E que sempre vai passar por aí”</p>
<p>Pensar a vida. Errar pelo caminho&#8230;</p>
<p>Os passos levam o corpo à janela. O vidro proíbe o ar. A visão é através, filtrada, controlada. Os olhos da casa. Não olham para fora; mas para dentro.</p>
<p>Há ninguém. Todos que não estão. Memórias. Imagens. Rostos. Ações. Tudo perdido nos jorros de tempo de Cronos.</p>
<p>Civilização. Ao final do braço a mão e seus dedos. Unhas aparadas e polidas. Mão enfraquecida. Braço cansado. Os pés cobertos por objetos de couro. Lustrosos e macios. O pé?</p>
<p>Sentado desamarra o sapato. A meia escura. Agora a visão do pé. Todos os dedos. Sorri. Não é sempre que observa o próprio pé. Meche os dedos. Boa sensação. Um pé esbranquiçado, sem vida. Sem cor. Ao lado o sapato observa, guarda, vigia. Pronto para enclausurar novamente. Proteger, cuidar, colocar o pé ao lado de tantos outros. Calçados.</p>
<p>Eles voam. Primeiro um. Depois o esquerdo. Na rua já escura estatelam-se. Srão os pés de um mendigo qualquer. Um homem que mendiga passos certos e exatos.</p>
<p>A casa está surpresa. Em silêncio. Presente algo. As paredes vibram silenciosas. Portas e janelas estão anciosas e asustadas. Então a casa oferece o quarto, cama grande e macia, ar condicionado, televisão; seduzir. É o que o carcereiro pensa. Seduzir o homem. Não? Ainda não? A cozinha. Geladeira repleta; queijo fatiado, presunto, galinha, yogurtes, cremes, doces, bebidas&#8230; não?</p>
<p>A água lava o corpo em rios. Rios que escorrem pela carne. Pelo rosto. Não? São lágrimas? Salgadas?</p>
<p>Nu. Assopra as luzes. A escuridão. Do outro lado a noite. A casa já não tem poderes. As paredes são apenas ilusões. As narinas buscam todos os odores. Todos os cheiros que se mesclam confundem. Os olhos dilatam-se. Buscando nas distãncias aquilo que não se vê. A casa não é mais nada.</p>
<p>E a noite clama. A noite chama. E então é ela. Só. Redonda. Brilhante. Ele pensa na vida. Pensa nos sapatos. Nas portas. Nas roupas. Nas palavras doces, nas regras, nos detalhes&#8230; pensa nas filas, no cheiro de fumaça&#8230; e vomita. Vomita sua civilidade. Pela garganta. Pedaços de uma vida em pedaços.</p>
<p>E ele urra. E uiva. E salta. A fúria é o caminho. O desatino. E atravessa o vidro que corta. E o sangue que escorre. O cheiro, o gosto da vida.</p>
<p>Do outro lado da casa a noite o apara, o acolhe. E ele corre. Pernas que não são as mesmas. Coração outro. Força que invade cada célula, cada molécula.</p>
<p>Selvagem. Entre os carros. As pontes. Os homens. O medo, o susto. O pânico.</p>
<p>Fera. Suor. Escorrendo abundante, expurgando todos os medos, todos os anseios. Musculatura que salta sobre cercas. Se lança sobre árvores, arbustos. Prazer animal. A terra no pé, o vento pelas narinas, os olhos engolindo tudo, devorando toda uma vida que passa. O campo. As árvores. A mata. O uivo. O grito. A fúria se espandindo sonoramente como uma onda que vai arrasando tudo e todos. Depois o silêncio. Depois os comentários. Depois a versão oficial, depois a mentira. Depois o exagero, depois a lenda. Depois o tempo. Depois as calçadas. Depois os prédios. Depois o aço e o vidro, depois&#8230; depois &#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ronieev.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ronieev.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ronieev.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ronieev.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ronieev.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ronieev.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ronieev.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ronieev.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ronieev.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ronieev.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ronieev.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ronieev.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ronieev.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ronieev.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ronieev.wordpress.com&amp;blog=10951932&amp;post=42&amp;subd=ronieev&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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