Ao acordar precisava de um nome. Uma designação. Um rótulo. Precisava ser identificado. Identidade. Buscou, alucinado, a carteira no bolso da calça atirada despojadamente aos pés da cama. A cama era assim. Ela deturpava o ambiente em que se encontrava. Oferecia ao corpo consolo e abandono, prazer e descanso. Era então que o corpo, satisfeito com a promessa se despojava das armaduras sociais. Dos panos rituais que definiam condições e classes. Nu o corpo afundava na cama… para acordar sobressaltado, apavorado. Pois já não era mais o tempo da cama. Era o tempo dos calçados. Dos passos rápidos e angustiantes.
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ARTURO REZENDE E OS ÓCULOS
Publicado: outubro 3, 2011 em CONTOS, UncategorizedTags:arturo e os óculos, conto
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/ronieev MAIS UM LUGAR QUE ABRAÇA MEUS TEXTOS…
ESCREVER Como exercício. Oficina. Malho. Entortar o aço, dobrar o indobrável. Escrever no suor da gota que me disfaço Escrever na brancura da folha que ameaça e zomba e mata. Garimpar letra por letra no cansaço, Montar a frase com sentido ou além dele Montar o verbo – selvagem animal Resistir ao tombo… ou aproveitar [...]
Ronie Von Rosa Martins Entre as mãos, pressionado pela estrutura física da carne, do osso que sustenta, mas também oprime por também ser obstáculo, peso, parede. Pulsava(?) prisioneiro do próprio corpo engendrado para si. O cérebro. Nas mãos encharcadas, embebidas no suor das têmporas-nectar das dúvidas e angústias, ele sentia, percebia a aflição de [...]
Um homem. Sempre é uma prisão dele mesmo. Acredita ser um, uno; e é tantos e vários. E não entende. E nos moldamos ao que não somos. Para ser… Custamos a entender que tudo isso nada mais é que formatação. Somos formatados e nos condicionamos em determinado grupo, neste ou naquele lugar. Mas precisamos disso. [...]