O sol estava como se não estivesse. Sombrio o dia. Espaços delimitados de calor e luz. Fracos. Débeis. A cor era o cinza. Assim como o espírito. Cinza. E caminhava por aqueles dias mortos. Passos arrastados. Olhos cinzas. Quarenta e sete anos cinzas. A tentativa do sorriso foi um fiasco. Não sabia rir. [...]
Arquivo por Autor
Colocou os óculos. Imagem ampliada. Consciência? Sorria diante da folha virtual. O mundo era virtual. Mas era real também. Realidade em devir. E o sorriso era algo por aí. Misto de chegar e não. Coisa que não se decide em ironia ou dor. Indecisão. Cisão. E começou. Escrever. A música alta no pátio procurava caminhos [...]
ARTURO REZENDE E OS ÓCULOS
Publicado: outubro 3, 2011 em CONTOS, UncategorizedTags:arturo e os óculos, conto
Ao acordar precisava de um nome. Uma designação. Um rótulo. Precisava ser identificado. Identidade. Buscou, alucinado, a carteira no bolso da calça atirada despojadamente aos pés da cama. A cama era assim. Ela deturpava o ambiente em que se encontrava. Oferecia ao corpo consolo e abandono, prazer e descanso. Era então que o corpo, satisfeito com a promessa se despojava das armaduras sociais. Dos panos rituais que definiam condições e classes. Nu o corpo afundava na cama… para acordar sobressaltado, apavorado. Pois já não era mais o tempo da cama. Era o tempo dos calçados. Dos passos rápidos e angustiantes.
Para além do combate e dos cães. Também nós somos filhos de Tiphon, o deus grego da seca. Dos nossos desertos e silêncios e de todos os nossos segredos mais íntimos; e de Equidna, a mãe de todos os monstros. Mulher e serpente. Antes de sermos e vermos o outro, em suas diferenças e similitudes, antes de no outro vermos a nós mesmos, somos Ortro. Sempre o cão. De duas cabeças. Sedento. Ávido pelo sangue e carne alheia.
Um sorriso era a tentativa de não ser rude. Artimanha para ludibriar a situação. Como se a situação fosse suscetível a qualquer artimanha. Fato. Ato. É isso que é. Tempo também. Pois que se esvai, desgasta e acaba. Morre. Não o sorriso. As poucas palavras que não dizem. Pretendem o silêncio, mas que não são [...]
Desmoronou o céu e ele riu. Bocas graves e troantes anunciaram a água. Abundancia. Jorros, fluxos, rios. Massa de água que tudo envolvia, cobria, lavava. Todos os demônios escorraçados. Santa a água. Benta. E os braços aos céus agradeciam. Costumava agradecer. Mesmo constituindo-se da mais irremediável revolta; não esquecia de agradecer. O dia, [...]
Algumas observações sobre a idéia do belo através do Miss Universo.
Ronie Von Martins Primeiro deveria me preocupar com o narrador. Escolher quem narra. A forma como se conta um fato. Isso tudo é muito importante. Mas pro diabo, o narrador sou eu mesmo. E olhem lá, não sou nenhum eu “poético”, sou apenas eu. Isso basta. Poderia também, dos vários fatos importantes [...]
LADRÃO Ronie Von Martins Tinha que fazer. Seria fácil. Pensou na mulher. Na alegria da mulher quando voltasse com uma bolsa nova. Uma bolsa era tudo a mulher queria. “Todas têm bolsa bonita, só eu que não. Só eu que não…” isso martelava na cabeça dele. Foi então que aceitou. Tinha recusado. Sempre [...]
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/ronieev MAIS UM LUGAR QUE ABRAÇA MEUS TEXTOS…