Arquivo de outubro, 2011

Ao acordar precisava de um nome. Uma designação. Um rótulo. Precisava ser identificado. Identidade. Buscou, alucinado, a carteira no bolso da calça atirada despojadamente aos pés da cama. A cama era assim. Ela deturpava o ambiente em que se encontrava. Oferecia ao corpo consolo e abandono, prazer e descanso. Era então que o corpo, satisfeito com a promessa se despojava das armaduras sociais. Dos panos rituais que definiam condições e classes. Nu o corpo afundava na cama… para acordar sobressaltado, apavorado. Pois já não era mais o tempo da cama. Era o tempo dos calçados. Dos passos rápidos e angustiantes.

BRIGA

Publicado: outubro 3, 2011 em CONTOS
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Para além do combate e dos cães. Também nós somos filhos de Tiphon, o deus grego da seca. Dos nossos desertos e silêncios e de todos os nossos segredos mais íntimos; e de Equidna, a mãe de todos os monstros. Mulher e serpente. Antes de sermos e vermos o outro, em suas diferenças e similitudes, antes de no outro vermos a nós mesmos, somos Ortro. Sempre o cão. De duas cabeças. Sedento. Ávido pelo sangue e carne alheia.